Há algo de estranho quando se lê um ótimo livro. E algo de violento quando se termina. Quando todos os pontos cardeais no corpo acaba, a saciedade se transmuta numa voracidade, num quero-mais irremediável — insaciável pela virgindade da primeira leitura (já consumida) ou pelo gozo da releitura (sempre interrompida pelo fim). Como uma bússola que, ao invés de orientar, dissolve seus próprios eixos: não mais norte, sul, leste ou oeste, mas todos ao mesmo tempo, num horizonte que se multiplica. É assim que Carolina Maingué me fez sentir: perdido dentro desse corpo-livro, onde perder-se não é fracasso, mas a única forma de habitar o texto.